Patrick Swayze sem trocadilhos

Não dá para dormir sem antes fazer uma homenagem à Patrick Swayze. Já que eu resolvi criar um blog sobre cinema, não posso deixar passar uma coisa dessas.
Era um bom ator? Não importa. Ele era lindo, dançava bem, pulava de pára-quedas, pegava onda de verdade e era homem (também de verdade). Fez bons filmes que marcaram os anos 80 e o início dos 90 e vai ficar para sempre como um dos grandes sex symbols da minha geração.
Aos 15, eu olhava para Patrick Swayze e pensava “quero casar com um cara como esse”. Daí ele se apaixonou por aquela feiosa em Dirty Dancing e eu pensei “acho que pode ser o próprio”.
Perdi todas as minhas chances. Mas o que não dá pra aceitar é a enxurrada de trocadilhos com o filme Ghost. Antes de ter qualquer idéia brilhante, é bom pensar que 15 mil pessoas já tiveram a mesma só no Brasil.
Que tal ser original? Saia um pouco do twitter, vá até a locadora e assista a dois filmes muito melhores que esse – “Caçadores de Emoção”, de Kathryn Bigelow e “Vidas Sem Rumo”, do Coppola.
Caçadores de Emoção- Caçadores de Emoção – 1991

Dirty Dancing- Dirty Dancing – 1987

Ghost- Ghost – 1990

Vidas sem rumo- Vidas Sem Rumo – 1983

5- Melhores cenas 90′s – Philadelphia

Mais emocionante.

Arrisco dizer que esta é uma das cenas mais emocionantes do cinema. Da década de 90, com certeza. Não sou fã de Tom Hanks, mas este foi o seu momento.

Philadelphia – (Jonathan Demme, 1993)

4- Melhores cenas 90′s – The Full Monty

Mais sexy.

Um é magro, o outro é gordo, dois são velhos e todos são feios, desempregados e sem dinheiro. Por que não fazer um show de striptease pra conseguir pagar as contas? A cena da fila é genial. Mas eu não podia deixar de colocar também o “full Monty”.

1- Na fila do INSS.

2- O espetáculo.

The Full Monty – (Peter Cattaneo, 1997)

3- Melhores cenas – 90′s – Os Suspeitos

Final surpreendente.

Os Suspeitos – (Bryan Singer, 1995)

2- Melhores cenas – 90′s – Trainspotting

Melhor abertura.

Melhor desfecho.

Trainspotting – (Danny Boyle, 1996 )

1- Melhores cenas – 90′s – As Pontes de Madison

Melhor drama de amor.

Meryl está no carro. Chove torrencialmente. Clint aparece no meio da rua. Os dois esboçam um sorriso. Clint desiste. Os dois carros dão a partida. Fecha o farol. Clint está na frente. Meryl disfarça o desespero. Clint pendura a corrente que ela lhe deu no espelho retrovisor. O sinal abre. Clint continua parado. Meryl está com a mão na maçaneta. É a última chance. Ela não vai. O mundo continua. O amor fica ali parado para sempre.

As Pontes de Madison – (Clinton Eastwood, 1995 )

Medos privados em lugares públicos

Desde que meu pai me obrigou a assistir “O ano passado em Marienbad”, um dos filmes mais chatos de todos os tempos, fiquei um pouco traumatizada com Alain Resnais. “Medos privados em lugares públicos” não é chato, embora muitas pessoas tenham saído do cinema no meio do filme. Mas é muito triste e muito louco. Ele consegue criar personagens com o que existe de mais deprimente dentro de nós e contar histórias que a gente prefere pensar que não existem. No final, acaba que fica interessante, serve como experiência antropológica. Você sai do cinema com medo da empregada, do seu vizinho de porta e da pessoa que senta do seu lado no metrô. Por outro lado, você se sente muito normal. Nem minhas maiores bizarrices dariam um filme de Alain Resnais.

Medos privados em lugares públicos

Medos privados em lugares públicos – (Alain Resnais, 2006)

Um lugar na platéia

Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer, mas fiquei sem energia. Uma mistura de tristeza e felicidade, uma vontade enorme de ir embora para Paris, de cortar meu cabelo curtinho, de ser simples, fácil e harmoniosa, de entender de arte, de voltar a tocar piano.
Muitas descobertas assistindo ao filme “Um lugar na platéia”. “Brilha, brilha estrelinha” é de Mozart; Simone de Beauvoir não era lésbica, quem corre riscos tem uma vida maravilhosa (nem que seja para contar aos outros) e existem 2 tipos de pessoas: as que atendem o telefone e dizem “Quem é o pentelho agora?” e as que olham para o telefone tocando e pensam “humm… quem será?”
No final da história é isso mesmo. O que todo mundo deseja é um lugar na platéia, nem muito atrás, nem muito na frente, no meio.

Um lugar na platéia

Um lugar na platéia – (Danièle Thompson, 2006)

Eu, você e todos nós

Máximas do tipo “Ninguém vai te amar enquanto você não se amar” e “a arrogância é só uma máscara da sua insegurança” podem virar uma história que entra por um ouvido e não sai pelo outro.
Ela é taxista exclusiva da 3ª idade, ele é um vendedor de sapatos. Ela faz um pacto de amor eterno consigo mesma, ele coloca fogo em sua própria mão. Pode parecer viagem de filme independente, mas é a vida de todos nós. Troca o cenário, mudam os personagens e, de repente, é você na tela do cinema. O filme é lindo de morrer. Vale a pena assistir. Nem se for para relembrar a frase que você mais ouviu na vida: “relaxa, você não é o único”.

Só para lembrar, Miranda July dirigiu e é a protagonista.

Eu, você e todos nós

Eu, você e todos nós – (Miranda July, 2005)

Chega de Saudade

De uns tempos pra cá decidi que estou ficando velha. Não fui bem eu que decidi, na verdade. O fato é que só tenho mais 7 anos de vida. Com 40, estarei velha. Colocarei uma saia acima do joelho e não ficará apropriado. Serei mãe antes de ser filha. Serei mais memórias do que sonhos. É uma bobagem, eu sei, mas esta é a piração do momento. Pelo menos era até hoje às 3 da tarde, quando entrei sozinha no cinema, junto com vários outros velhinhos, para assistir ao filme “Chega de saudade”. Duas horas foram o suficiente para eu perceber que, se tudo der errado, aos 70 eu ainda serei jovem. Com a saia na altura das canelas, serei a mesma pessoa. Continuarei com as mesmas caras e bocas, apenas mais enrugadas. Continuarei falando pelos cotovelos, só que eles estarão mais calejados. Continuarei agarrando todas as oportunidades, só que com as mãos trêmulas. Terei muitas memórias, de certo. Mas continuarei sendo mais sonhos. Sonhos realizados.

Chega de Saudade

Chega de Saudade – (Laís Bodanzky, 2008)

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